Limites entre a Nutrição e Psicologia
- Marhya Júlia Silva Leite; Matheus Lisboa; Renata Torres; Tamiris Isabeli da Silva

- 26 de out. de 2021
- 3 min de leitura

O atendimento de um nutricionista que lida com complexidades alimentares pode, muitas vezes, visualizar-se na fronteira entre a nutrição e a psicologia, por isso, é necessário saber os limites de cada profissional, de forma que respeite a formação de ambos.
Com isso, uma das maneiras de estabelecer esses limites e, ao mesmo tempo, contribuir para o tratamento do paciente é através da conversa multidisciplinar, ou seja, o psicólogo e nutricionista discutem o caso em questão com cada um expondo o ponto de vista da sua área.
Os casos que exigem cuidados nutricionais e psicológicos, geralmente, relacionam distúrbios de imagem com transtornos alimentares, assim, enquanto o psicólogo trata das questões mentais, lidando com a objetificação do corpo e comida e com os sentimentos purgatórios em relação ao alimento, o nutricionista deve cuidar da análise de um recordatório ou diário alimentar, com o monitoramento da qualidade, quantidade, frequência da alimentação, peso seguro, IMC e comportamentos compensatórios.
Porém deve se ter cuidado para não entrar no âmbito dos sentimentos e emoções envolvidas na refeição, visto que nem sempre o nutricionista possui ferramentas para lidar com esse aspecto do paciente. Além disso, é papel do nutricionista o aconselhamento quanto a fome, a saciedade, vontades, o comer emocional, dietas e, possivelmente, o encaminhamento de alguns assuntos para serem tratados com o psicólogo.
Vale ressaltar que o psicólogo também não deve entrar na área do nutricionista, recomendando planos alimentares ou dietas, por exemplo, considerando que a relação com a alimentação é apenas um sintoma de algo muito mais profundo no paciente. Dessa forma, é possível desenvolver no paciente um maior poder de autonomia para lidar com sua alimentação, elaborando comportamentos alternativos para determinadas situações.
O psicólogo e o nutricionista trabalham nesse limiar entre o corpo físico e o corpo emocional, o corpo sentido e o corpo real. A área emocional é trabalhada pela psicologia, compreendendo como o comportamento alimentar se relaciona com os sentimentos, pensamentos e percepções sobre si mesmo. Já o nutricionista deve entender como esses comportamentos ocorrem e como auxiliar o paciente a ter hábitos alimentares saudáveis que também respeitem suas vontades e seus aspectos emocionais.
Um assunto muito importante durante esse momento de pandemia é o luto pela perda de pessoas queridas, algo que pode afetar qualquer paciente e os profissionais de saúde devem estar preparados para isso. O psicólogo é o profissional adequado para que os pacientes possam conversar de forma mais profunda sobre isso, expondo seus sentimentos. Já o nutricionista deve auxiliar o paciente entendendo como a dor do luto afeta os hábitos alimentares, como o indivíduo utiliza a alimentação para lidar com isso. Respeitar esses limites também pode ajudar os pacientes nesse momento mais delicado.
Ademais, a união das áreas de atuação podem contribuir para que o indivíduo consiga se conhecer mais e se aceitar, tanto fisicamente como mentalmente. Isso é de grande importância quando observamos como essas pessoas são influenciadas por padrões de beleza e comportamento presentes na internet, o que pode gerar conflitos com a percepção de si mesmo.
Por isso, é essencial que psicólogo e nutricionista tenham uma boa comunicação e trabalhem juntos de forma a auxiliar o paciente a lidar com seus sentimentos e momentos de conflitos, sem descontar na comida e sem realizar comportamentos alimentares e sociais danosos à saúde da pessoa. Com isso, os pacientes podem trabalhar a sua alimentação e seus pensamentos sobre si mesmos e sobre o mundo que os cerca.
Texto escrito por Marhya Júlia Silva Leite, Matheus Lisboa, Renata Torres e Tamiris Isabeli da Silva - Diretores de Comunicação e Marketing (Assessores de Produções Científicas) da Liga Acadêmica de Nutrição e Complexidades Alimentares da Universidade de São Paulo (LANCA - USP), baseado na aula da nutricionista Raquel Labonia e da psicóloga Roberta Cyrillo




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