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Imagem corporal

  • Foto do escritor: LANCA - USP
    LANCA - USP
  • 26 de set. de 2022
  • 3 min de leitura

Espelho, espelho meu, existe alguém mais belo do que eu? Tal

questionamento emblemático, da obra clássica “Branca de neve”- do diretor Tarsem

Singh, resume bem o tema Imagem Corporal: todos temos e todos queremos que

ela seja aprovada socialmente. Mas como ela é formada? A imagem corporal nasce

através do outro (através do tu). Por exemplo, uma criança vai formar sua

autoimagem a partir dos seus cuidadores. Ao vê-los, ela sabe qual nariz é o dela,

qual é a sua barriga e etc. Dessa forma, ao longo da vida, as pessoas formam sua

imagem a partir do externo: do que é imposto e reforçado pela sociedade. Assim, se

a sociedade vê um formato de nariz como feio, consequentemente, as pessoas

(importante ressaltar que não todas) irão ver como feio também. O mesmo vale para

cor de pele, cabelo, tamanho e forma do corpo. Dessa maneira, nota-se como a

sociedade interfere na formação da autoimagem dos indivíduos.

Na obra branca de neve, por exemplo, caso o espelho mostrasse alguém

mais bela que a personagem Bruxa, instantaneamente, esta tratava de matar o

outro “mais belo”. Fora da ficção, as pessoas não assassinam as outras por causa

da beleza, mas a busca por um padrão (inalcançável), leva muitos a se maltratarem

de diversas maneiras. Nesse ínterim, surge a relação entre mente, corpo e comida.

Nessa relação, há três processos: avaliação cognitiva, a emoção e o

comportamento. No primeiro processo, o indivíduo avalia suas questões

(corpo, cabelo, jeitos). No segundo, ele analisa qual sentimento essa avaliação gera

para ele. Já na terceira, é como o indivíduo lida com esses sentimentos. Para

melhor entendimento, há o exemplo de uma mulher, a qual morre de medo de ter o

mesmo tamanho de corpo que suas avós (corpos gordos e com circunferência

alargada). Esse medo gera grande insatisfação corporal, angústia e tristeza,

afetando toda a sua vida de forma muito complexa. Essas emoções fazem com que

ela adote uma alimentação restritiva, pois, dessa forma, ela acredita que nunca

chegará ao corpo das avós. Dessa forma, vê-se que muitos recorrem às dietas

restritivas (low carb, sem glúten, sem açúcar), a fim de alcançar uma imagem

corporal aceita e aplaudida pela sociedade- magro, definido e com curvas.

Com tamanha pressão da sociedade, muitas pessoas podem adquirir uma

distorção de sua imagem corporal. A distorção pode ser reflexo da percepção da

pessoa: a informação da percepção chega ao sistema somatossensorial; depois há

um representação do corpo no córtex parietal e, por último, os comentários, as

agressões, os abusos e traumas sofridos pela pessoa podem levar a uma grave

distorção de imagem. Outra maneira da distorção é pela atitude- estrutura cultura,

características físicas, relações interpessoais, fatores psicológicos podem gerar

distorções de imagem. Ao falar em distorção de imagem, é necessário falar sobre

TDC- Transtorno dismórfico corporal. Nesse caso, os indivíduos buscam a magreza

e a muscularidade. E, para alcançar esses objetivos, as pessoas são capazes de

fazer dietas restritivas, jejum, exercício físico em excesso, induzir ao vômito, entre

outras atitudes. Importante ressaltar que, mesmo fazendo o impossível para chegar

nesses corpos, eles nunca estão satisfeitos, já que a imagem, a qual eles veem no

espelho, não condiz com a sua realidade.

Dessa forma, entende-se que a imagem corporal é formada ao longo da vida,

porém ela precisa do outro para se formar, ou seja, depende da sociedade e das

suas dinâmicas. Dependendo desse outro, as pessoas podem sentir desconforto

com seu próprio corpo e até distorcer sua própria imagem, se no livro A Branca de

neve, o espelho dizia à Bruxa quem era belo, hoje, os padrões socialmente

impostos dizem o que é belo e o que não é. Assim, compreende-se a importância

de estudar imagem corporal por si só e não somente quando está ligada a

transtornos alimentares, pois todos formam sua imagem corporal e vão lidar com

essa imagem para o resto da vida.


Texto escrito por Gabriel Lupoli, Laís e Renata Torres - Diretores de

Comunicação e Marketing (Assessoria de Produções Científicas) da Liga

Acadêmica de Nutrição e Complexidades Alimentares da Universidade de São

Paulo (LANCA - USP), baseado na aula ministrada pelo nutricionista Jônatas

de Oliveira.

 
 
 

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