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Obesidade e estigma

  • Foto do escritor: LANCA - USP
    LANCA - USP
  • 19 de out. de 2022
  • 3 min de leitura

Desde que o ser humano começou a se reunir em grandes grupos sociais, normas sociais começaram a surgir e, com isso, estigmas foram estabelecidos. Assim, os estigmas são produtos de uma construção social, muitas vezes enraizados nas culturas, que acabam sendo absorvidos e reproduzidos pelos indivíduos daquele meio. Por conceito são definidos como uma marca negativa que caracteriza alguém como desqualificado para a aceitação social plena.

Dessa forma, a perpetuação dos estigmas pode se tornar automatizada e sem perceber, pessoas começam a reproduzi-los sobre outras, excluindo-as de ambientes, dificultando acesso a direitos básicos e até ao respeito mútuo. Por isso, é necessário que cada um reflita constantemente sobre suas ações e verifique quais estigmas está reproduzindo e como mudar isso, de modo que não faça diferenciação de pessoas por qualquer espécie, seja gênero, cor, peso, forma corporal, entre outros.

Um tópico ainda muito estigmatizado no Brasil é a obesidade, através da manifestação de estereótipos e preconceitos sobre as pessoas com obesidade, como de que são preguiçosos, gulosos, exagerados e incapazes de se controlar. Esses olhares preconceituosos trazem diversos prejuízos para as vítimas, pois são discriminadas, sentem-se excluídas do convívio social, podem desenvolver uma insatisfação corporal aumentada, distúrbios psicológicos, como depressão e ansiedade e até mesmo casos de agravo da obesidade.

Desse modo, é preciso refletir que esse comportamento preconceituoso em nada ajuda no tratamento e cuidado das pessoas obesas, principalmente quando ele vem dos próprios profissionais da saúde, como médicos e nutricionistas. Vários desses mostram uma atitude diferente de acordo com o peso do paciente, o olhar é depreciativo e há um julgamento de falha de caráter da pessoa, ao invés de realmente procurar tratar do caso, tais médicos afastam os pacientes com maior peso corporal do cuidado médico. Com isso, as pessoas obesas não são incluídas e ficam desamparadas de quem mais poderia, e deveria, se preocupar com sua saúde, e acabam, consequentemente, desmotivadas em melhorar a alimentação, praticar exercícios e buscar uma melhor qualidade de vida.

É necessário considerar que a obesidade é muito mais complexa do que a sociedade pensa, ela envolve múltiplos fatores tanto privados quanto públicos, sendo influenciada pelo sistema e contexto vigente. Por isso, o tratamento utilizado atualmente é resumido a “coma menos e se exercite mais” é ineficiente e mostra uma visão extremamente reducionista das causas, consequências e “soluções” do problema em questão.

Portanto, é urgente que mudanças sejam feitas a partir de um olhar mais sério para os casos de gordofobia, principalmente pelos profissionais de saúde, dando a devida atenção e lugar de fala aos ativistas dessa causa. A nível individual aos nutricionistas, pode-se começar destruindo conceitos gordofóbicos enraizados no comportamento de cada um, através da leitura, reflexão e estudo de materiais sobre o tópico, que levarão à mudança de atitudes e ao rompimento do ciclo do tratamento excludente de corpos gordos dos ambientes de tratamento e cuidado.

Por meio dessa mudança de pensamento, será visto que as pessoas obesas precisam de ajuda e não de julgamento para mudar seus hábitos, quebrar seus traumas por eventos gordofóbicos anteriores, praticar exercícios e melhorar a qualidade de sua alimentação, caso necessário. O tratamento pode ser feito de modo diferenciado, sem o foco no peso como único e mais importante parâmetro de sucesso, mas na saúde e qualidade de vida da pessoa, fazendo com que o processo seja prazeroso e constante, não como um castigo ou punição.

Texto escrito por Gabriel Lupoli, Laís de Britto e Renata Torres - Diretores de Comunicação e Marketing (Assessoria de Produções Científicas) da Liga Acadêmica de Nutrição e Complexidades Alimentares da Universidade de São Paulo (LANCA - USP), baseado na aula ministrada pelos nutricionistas Mariana Dimitrov e Erick Cuzziol.


 
 
 

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