Sistemas Alimentares
- LANCA - USP
- 24 de jun. de 2022
- 3 min de leitura
Inicialmente, a psicologia tem uma abordagem muito ampla do pensamento e suas vertentes, sendo um processo de estruturação e organização de informações com um certo objetivo, que pode acontecer através de diversas maneiras na mente, dependendo do momento ou finalidade envolvida, por exemplo, ao se pensar em um cálculo matemático, o tipo de pensamento utilizado provavelmente será o lógico, já quando é preciso avaliar um sentimento próprio, o pensamento mais reflexivo será utilizado. Independente dos termos, o necessário é que cada indivíduo seja capaz de desenvolver a maior diversidade possível de tipos de pensamento, para que possa analisar o maior número de situações que, por ventura, ocorram em sua vida, integrando tipos de pensamento diferentes.
Mais especificamente, os desafios atuais mostram, cada vez mais, as lacunas e limitações do pensar reducionista, de abordar questões por apenas um lado, um ponto de vista ou por um método de pensamento, por exemplo estudar uma doença que afeta populações apenas pelo lado fisiológico, sem considerar aspectos sociais, econômicos, etc. É a partir disso, que surge o holismo, uma forma de abordagem que procura pelo entendimento integral dos fenômenos, em oposição ao paradigma simplificador e analítico, buscando sempre um equilíbrio dinâmico, uma adaptação constante aos novos fatores influentes que vão surgindo.
Dessa forma, aplicando à ciência da nutrição, é necessário uma renovação constante das abordagens e concepções, sem deixar que se formem paradigmas nessa área, é preciso que todo bom profissional nutricionista saiba buscar se atualizar, evoluir e mudar seu pensamento, pois novos âmbitos e pontos de vista vão surgindo a todo instante, nos mais diversos temas. Como ocorreu e continua ocorrendo na área de sustentabilidade, até 50 anos atrás pouco era discutido sobre esse tema, as concepções eram totalmente diferentes da atualidade, na qual essa é uma das áreas mais importantes e trabalhadas pela ciência. Desses 50 anos até hoje, a pesquisa em nutrição mudou seu foco, e agora muito se fala sobre o que acontece com o alimento bem antes de chegar ao prato da população, o porquê uns possuem acesso tão escasso e outros tão excessivos às fontes nutricionais e como é esse sistema tão interligado mas tão desigual, relacionado a distribuição e produção dos alimentos.
Com isso, os atuantes da área de nutrição devem pensar como podem alterar o sistema alimentar em que vivem, como suas ações e, principalmente, seu trabalho atuam nesse meio, visto que afetam diretamente pessoas de todos os níveis e estilos de vida. Esse tipo de pensamento é classificado como sistêmico, ou seja, refere-se à compreensão das relações que têm os diferentes elementos e componentes que formam um sistema, é necessário criar interconexões, ser criativo e até corajoso para tentar redesenhar o sistema alimentar da sociedade, relacionando fatores individuais e interpessoais, envolvendo questões não só alimentares, mas também socioambientais, políticas, econômicas, culturais, entre várias outras.
Por fim, parece difícil ser alguém nesse meio tão sistemático e com tantas influências e dependências, mas o que importa é pensar, refletir e praticar a mudança, quebrar barreiras e paradigmas diariamente, mesmo que afete a vida de apenas um paciente por vez, toda evolução é válida.
Texto escrito por Matheus Lisboa e Renata Torres - Diretores de Comunicação e Marketing (Assessores de Produções Científicas) da Liga Acadêmica de Nutrição e Complexidades Alimentares da Universidade de São Paulo (LANCA - USP), baseado na aula ministrada pela Aline Martins de Carvalho.




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